Fases e métodos da educação dos surdos
A educação de surdos se pautou em métodos diversos em diferentes fases ao longo de todo o processo histórico. Essas fases, decididamente, marcaram a vida dos surdos no mundo e no Brasil.
A educação dos surdos sempre foi motivo de muitos debates e controvérsias.
A partir da segunda metade do século XVIII, havia quatro métodos de ensino para os alunos surdos. Clique em cada método para conhecê-lo.
o método francês de sinais do Abade de L'Epée – gestualismo – que deu início a educação de surdos por meio da criação de escolas, formando surdos multiplicadores de suas próprias línguas de sinais.
o método oral alemão de Samuel Heinicke, com o qual surgiu a tendência de se proibir o uso das línguas de sinais em todo o mundo educacional.
o método bimodal – bimodalismo ou comunicação total – a língua de sinais passou a ser usada concomitantemente com a língua oral.
método bilíngue – bilinguismo, teve início na década de 1980 e perdura até os dias atuais – propõe o respeito à língua de sinais da comunidade surda.
Gestualismo
O Gestualismo, que foi o método mais conhecido e difundido, teve início com a criação do método Sinais Metódicos, em 1712. O método foi criado pelo Abade de L'Epée, que se tornou o pai da educação dos surdos no mundo.
O abade fundou a primeira escola de surdos, o Instituto Nacional de Surdos de Paris. Foi defensor da língua de sinais e do desenvolvimento da educação dos surdos.
Com o avanço do Gestualismo, Huet, professor surdo do Instituto Nacional de Surdos de Paris, veio ao Brasil em 1857, a pedido de Dom Pedro II, para fundar o INES. O INES localiza-se no bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro.
Oralismo
O segundo método de educação de surdos, conhecido como Método Oral ou oralismo, teve início com as pesquisas de Samuel Heinicke. O método atingiu seu auge no Congresso Internacional de Educação de Surdos de Milão, em 1880. Esse evento ocorreu sem a presença de nenhum represente surdo.
Alexander Melville Graham Bell contribuiu votando a favor do oralismo criado por Heinicke e contra o método gestual. Com isso, surgiu uma tendência de se proibir o uso das línguas de sinais em todo o mundo educacional.
Ocorreram incidentes como a demissão de professores surdos, o fechamento de escolas e práticas violentas que impediam o uso de sinais dentro da sala de aula. Por exemplo, amarrar as mãos dos surdos ou fazer com que eles se sentassem sobre elas.
Alexander Melville Graham Bell (1819-1905)
Segundo Sánches, 1997, o oralismo é considerado como uma imposição social a uma minoria linguística.
Bimodalismo
O terceiro método da educação dos surdos tem início em 1970. Por conta da situação de analfabetismo em que se encontravam os surdos, o bimodalismo teve uma aceitação direta na época.
O analfabetismo derivava da proibição de pensar em sua língua natural. Por isso, houve a necessidade de se retornar o uso das línguas de sinais nas salas de aula. Para o bimodalismo, tudo era possível para atingir uma educação plena do surdo – por isso o nome Comunicação Total.
O bimodalismo trouxe o uso da língua de sinais de volta à sala de aula mas também criou um sistema falso de língua por meio de sinais ajustados a estrutura da língua oral do país, dando origem aos termos de inglês sinalizado, português sinalizado, etc.
A Suécia foi o primeiro país a reconhecer os surdos, politicamente, como minoria linguística, com direitos a uma educação bilíngue na língua de sinais e na língua escrita do país.