*r_federalista Revolução Federalista

A Revolta Federalista aconteceu de 1893 a 1895. Envolveu as principais facções políticas do Rio Grande do Sul, onde o poder era disputado pelo Partido Republicano Riograndense e pelo Partido Federalista.

Enquanto o primeiro reunia os republicanos históricos sob o comando de Júlio de Castilhos, o segundo agrupava os descontentes com a política de governo forte e centralizador do castilhismo.

Apoiado pelo presidente Floriano Peixoto, Júlio de Castilhos assumiu o governo em 1893. A tentativa de impedir a posse de Castilhos pelas armas gerou uma forte repressão. Isso obrigou os federalistas a buscarem refúgio no Uruguai e na Argentina. Em fevereiro de 1893, os federalistas invadiram o Rio Grande do Sul e uma violenta guerra civil começou.

revolta A revolta da armada O conflito que ficou conhecido como Revolta da Armada, foi promovido por unidades da Marinha em oposição ao governo Floriano Peixoto. Começou em setembro de 1893 no Rio de Janeiro e propagou-se para a região sul, prolongando-se até março do ano seguinte. Vice de Deodoro da Fonseca, que renunciou ao cargo após nove meses de governo, Floriano deveria assumir interinamente porque, conforme previa a Constituição, seriam convocadas novas eleições presidenciais em no máximo dois anos. Próximo ao fim do prazo estipulado, Floriano passou a ser acusado pela oposição de tentar se manter ilegalmente no poder. No dia 6 de setembro de 1893 um grupo de oficiais graduados da Marinha tentaria depor o presidente. Agregando jovens oficiais e até monarquistas, o movimento era liderado pelos almirantes Saldanha da Gama e Custódio de Melo, ex-ministro da Marinha e candidato preterido à sucessão de Floriano. Refletindo o descontentamento da Marinha com o pequeno espaço político que ocupava em relação ao Exército, a rebelião obtém escasso apoio no Rio de Janeiro. Os revoltosos dirigiram-se para o sul, e alguns efetivos desembarcaram em Desterro (atual Florianópolis), onde tentam, sem sucesso, articular-se com os rebeldes federalistas gaúchos. Com navios adquiridos no exterior, Floriano derrotaria a Revolta da Armada em março de 1894.
diario Diário Popular de São Paulo ACONTECIMENTO ÚNICO Rio de Janeiro, 18 de novembro de 1889. Eu quisera poder dar a esta data a denominação seguinte: 15 de Novembro, primeiro ano de República; mas não posso infelizmente fazê-lo. O que se fez é um degrau, talvez nem tanto, para o advento da grande era. Em todo o caso, o que está feito, pode ser muito, se os homens que vão tomar a responsabilidade do poder tiverem juízo, patriotismo e sincero amor à liberdade. Como trabalho de saneamento, a obra é edificante. Por ora, a cor do Governo é puramente militar, e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só, porque a colaboração do elemento civil foi quase nula. O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada. Era um fenômeno digno de ver-se. O entusiasmo veio depois, veio mesmo lentamente, quebrando o enleio dos espíritos. Pude ver a sangue-frio tudo aquilo. Mas voltemos ao fato da ação ou do papel governamental. Estamos em presença de um esboço, rude, incompleto, completamente amorfo. (...) Adeus. Aristides Lobo Em: Aristides Lobo apud CARONE, Edgard. A Primeira República (1889-1930): texto e contexto, 1969. Aristides Lobo.
povo onde está o povo? Para o pintor Benedito Calixto, a Proclamação da República, ocorrida na Praça da Aclamação na cidade do Rio de Janeiro, foi um evento político liderado por militares do exército brasileiro sem a participação popular. O artista traduziu em sua tela a interpretação de que o povo estava alheio a esse acontecimento de tamanho civismo.
democra saiba mais Ao longo do século XIX, a palavra nação teve um sucesso crescente, juntamente com as palavras povo (...) e pátria. Esta última designava o lugar ao qual se estava ligado afetivamente pelo nascimento ou pela família. Por uma tradição originária da Revolução Francesa, nação - ou povo – designava a comunidade política formada pelos cidadãos. Fazer parte da nação era ser cidadão. (...) A principal reivindicação dos povos da época era a liberdade. Os movimentos revolucionários na Europa da primeira metade do século XIX eram ao mesmo tempo liberais - os revolucionários queriam Constituições que garantissem as liberdades contra a arbitrariedade dos reis – e nacionais – o povo, e não mais o rei, encarnaria a nação.

Fonte: ENDERS, A. (Coord.) et al. História em curso: da Antiguidade à Globalização. São Paulo: editora do Brasil; Rio de Janeiro: fundação Getúlio Vargas, 2008, p. 252.

entrudo O entrudo Na ilustração, feita alguns anos antes da Proclamação da República, vemos representado o Entrudo na Rua do Ouvidor, capital do Império. O Entrudo era uma antiga forma de carnaval de rua. A brincadeira dos foliões era jogar, dentre outras coisas, água uns nos outros.
*oligarquias oligarquia

Esse termo tem origem na língua grega e significa governo de poucos. Na primeira fase da República, o sistema federalista serviu de base para a formação de fortes grupos regionais – as chamadas oligarquias. Organizadas em partidos políticos estaduais, passaram a exercer amplo domínio sobre a vida política e social de seus estados.

*pacto_federativo pacto federativo

Conjunto de normas legais que regem as relações entre o poder central – a União – e as unidades federadas – os estados.

O pacto federativo trata de questões como a distribuição de impostos, o controle sobre as forças militares e a organização da Justiça. Enfoca também as formas de intervenção do poder central nos estados.

poder_moderador Poder Moderador

O Poder Moderador foi um dos quatro poderes de Estado instituídos pela Constituição brasileira de 1824 e pela Carta Constitucional portuguesa de 1826. Ambas saíram do punho do imperador D. Pedro I do Brasil ou rei D. Pedro IV de Portugal.

O Poder Moderador era superior aos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo. Seu detentor possuía poder – ou força coativa – sobre os demais.

cidadania Cidadania

O número de votantes permaneceu baixo. Na primeira eleição popular para a Presidência da República, em 1894, votaram 2,2% da população. Na última eleição presidencial da primeira República, em 1930, quando o voto universal, inclusive feminino, já fora adotado pela maioria dos países europeus, votaram no Brasil 5,6% da população.

Nem mesmo o período de grandes reformas inauguradas em 1930 foi capaz de alterar esse quadro. Somente na eleição presidencial de 1945 é que compareceram às urnas 13,4% dos brasileiros, número ligeiramente superior ao de 1872 quando tivemos 1 milhão de votantes, correspondentes a 13% da população livre.



Fonte: CARVALHO, José Murilo de. A Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.

pena_de_morte Extinção da pena de morte

A última execução determinada pela Justiça Civil brasileira foi a do escravo Francisco, em Pilar, Alagoas, em 28 de abril de 1876. A última execução de um homem livre foi, provavelmente, pois não há registros de outras, a de José Pereira de Sousa, condenado pelo júri de Santa Luzia, Goiás, e enforcado no dia 30 de outubro de 1861. Até os últimos anos do Império, o júri continuou a condenar pessoas à morte, ainda que, a partir do ano de 1876, o imperador comutasse todas as sentenças de punição capital, tanto de homens livres como de escravos. Todavia, a prática só foi expressamente abolida para crimes comuns após a Proclamação da República. A pena de morte continuou a ser aplicada para certos crimes militares em tempos de guerra.


Fontes: CARVALHO FILHO, Luís Francisco. Impunidade no Brasil: Colônia e Império. In: Estudos Avançados, v. 18, n. 51, São Paulo: [s.l.], 2004.

RIBEIRO, João Luis. No meio das galinhas as baratas não têm razão: A Lei de 10 de junho de 1835 – Os escravos e a pena de morte no Império do Brasil (1822-1889). Rio de Janeiro: Editora Renovar, 2005.

atentado atentado

Em 5 de novembro de 1897, Prudente recepcionaria dois batalhões que haviam participado da expedição a Canudos. Esses batalhões chegariam ao Rio de Janeiro sob o comando do general Silva Barbosa. Desde as primeiras horas da manhã, uma grande multidão se deslocou para o Arsenal de Guerra, onde se daria o desembarque. Cercado de autoridades, o chefe do governo atravessou o pátio do Arsenal. Da multidão, repentinamente, saltou sobre ele Marcelino Bispo, um anspeçada do Exército, que tenta atacá-lo, mas erra o golpe. Na confusão desencadeada, o ministro da Guerra, marechal Machado Bittencourt, foi mortalmente ferido. A cena provoca indignação e revolta. Rapidamente, a opinião pública que, na véspera, vaiava Prudente, volta-se contra seus opositores. A cidade do Rio de Janeiro exalta-se e abriga um mar de boatos: diz-se que um novo atentado se daria caso o presidente insistisse em comparecer ao enterro do ministro assassinado, como pretendia. Pelas ruas e esquinas surgem boletins com nomes dos possíveis coautores do crime. Na madrugada do dia 6, populares, furiosos, atacam e empastelam o República, a Folha da Tarde e O Jacobino. O Clube Militar reúne-se em sessão secreta. Em frente à Câmara, a multidão aclamou entusiasticamente o presidente da República, dando morras ao general Glicério e ao Partido Republicano Federal e aos jacobinos.


Fonte: QUEIROZ, 1986.

trecho

(...) Ao longo dos 100 anos que seguiram à destruição de Canudos, a visão sobre o movimento foi-se modificando. De maldito, passou a ser reverenciado, transformado em tema de inúmeros estudos, debates, livros, matérias de jornal, páginas da internet, canções, exposições, filmes e comemorações.

Passou a ser visto como um movimento de resistência e de organização popular, como um projeto promissor de vida comunitária, autônoma, livre do poder e da opressão dos grandes proprietários e chefes locais – os coronéis –, em suma, como um dos marcos fundamentais das lutas pela terra no Brasil. Inverteram-se, assim, os sinais das avaliações produzidas sobre os polos em luta, legitimando-se Canudos e condenando-se os que determinaram sua destruição. Além da revisão histórica, Canudos foi objeto de uma realização política. Nesse processo o movimento foi deixando de ser apenas um evento localizado no passado para tornar-se um símbolo das lutas populares, uma evidência de que conflitos que hoje se observam são resultado da persistência secular de desigualdades sociais.

Fonte: GRYNSPAN, Mário. Da barbárie à terra prometida: o campo e as lutas sociais na história da República. In: GOMES, Angela de Castro; PANDOLFI, Dulce Chaves; ALBERTI, V. A República no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 2002. p. 117.

*o_cruz Oswaldo Cruz

Cientista, médico, pesquisador e sanitarista, Oswaldo Cruz foi um pioneiro dos estudos médicos no Brasil.

*herodoto Heródoto

Heródoto, geógrafo e historiador grego, nasceu no século V a.C., em Halicarnasso, local que hoje corresponde a Bodrum, na Turquia.

O historiador foi quem narrou a história da invasão da Grécia, no início do século V a.C.. As histórias de Heródoto foram classificadas como uma nova forma de literatura, já que, a partir delas, discutiu-se a história como um problema filosófico e como uma fonte de pesquisa que poderia revelar conhecimento acerca do comportamento humano.

Suas contribuições renderam-lhe o título de pai da história, e o termo por ele utilizado, historie – que, inicialmente, siginificava somente pesquisa –, passou a ter a conotação atual de história.

guerra_de_canudos Guerra de Canudos

Com a Guerra de Canudos, a República recém-proclamada viveu um de seus maiores e mais traumáticos conflitos internos. O movimento liderado por Antônio Conselheiro enfrentou vários destacamentos militares. Os seguidores de Antônio Conselheiro apenas defendiam seus lares, mas a nova ordem não podia aceitar que humildes moradores do sertão da Bahia desafiassem a República.

Dessa forma, em 1897, esforços são reunidos para destruir os sertanejos. Esses fatos são vistos pela ótica de uma família, que tem opiniões conflitantes sobre Conselheiro.

Ficha técnica:
Título original: (Guerra de Canudos).
Lançamento: 1997 (Brasil).
Direção: Sérgio Rezende.
Atores: José Wilker, Paulo Betti, Cláudia Abreu, Marieta Severo.
Duração: 169 min.
Gênero: Drama.

filhos_da_guerra_de_canudos Sobreviventes: Os filhos da Guerra de Canudos

A história da Guerra de Canudos contada por meio dos olhos de filhos de conselheiristas. O filme conta com a participação do único homem vivo que conheceu Antonio Conselheiro. É uma visão mais pessoal sobre a guerra, a velhice e a vida no sertão.

Ficha técnica:
Título original: (Sobreviventes - Filhos da Guerra de Canudos).
Lançamento: 2007 (Brasil).
Direção: Paulo Fontenelle.
Atores: Antônio de Isabel, João de Régis, Zefa de Mamede, Dona Júlia.
Duração: 78 min.
Gênero: Documentário.

guerra_dos_pelados A Guerra dos Pelados

O filme é baseado no episódio histórico da Guerra do Contestado (1912-1916), quando em 1913, em Santa Catarina, houve um conflito envolvendo cessão de terras e uma estrada de ferro estrangeira. Os expropriados foram chamados de pelados, pois rasparam a cabeça e se entrincheiraram num reduto messiânico, lembrando Canudos.

Ficha técnica:
Título Original: (A Guerra dos Pelados).
Lançamento: 1970 (Brasil).
Direção: Sylvio Back.
Atores: Irineu Adami, Otávio Augusto.
Duração: 98 minutos.
Gênero: Drama.

memorias_da_chibata Memórias da Chibata

Juca, um menino negro de 7 anos que vende balas na rua, vê seus amigos e sua mãe apanharem de seu padrasto sem nada poder fazer, mas um dia, na favela onde mora, sua avó lhe revela que ele é bisneto do líder da Revolta da Chibata, João Cândido, e inspirado por essas memórias, o menino toma uma atitude radical que pode mudar o rumo de sua vida.


Ficha técnica:

Título original: (Memórias da chibata).

Lançamento: 2005 (Brasil).

Direção: Direção: Marcos Manhães Marins.

Atores: Alexandre Jório, Alexandre Rodrigues, Babu Santana, Jaime Periard, Léa Garcia, Leonardo bandeira, Simone da Paz, Wagner Bonifácio.

Duração: 15 minutos.

Gênero: Ficção.