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MÓDULO – DIAGNÓSTICO EMPRESARIAL E GESTÃO
UNIDADE 3 – ANÁLISE DA GESTÃO DO CAPITAL DE GIRO

3.5 Definição de CGL ou CCL

A definição tradicional de capital de giro líquido – CGL –, também chamado de capital circulante líquido – CCL – é:

CGL ou CCL = ativo circulante – passivo circulante

Essa definição é estática, pois quer dizer que quanto maior a folga existente entre o ativo e o passivo de mesmo prazo, maior o potencial da empresa para saldar as obrigações assumidas.

Além do mais, dá a falsa impressão de que o capital de giro resume-se à questão de contrapor ativos e passivos de curto prazo. A abordagem segundo o conceito da necessidade de capital de giro – NCG – é mais dinâmica e superior a esta quando desejamos analisar a fundo a gestão do capital de giro.

Sabemos que o capital empregado pela empresa compõe-se de dívidas onerosas de curto e longo prazos mais o patrimônio líquido.

Esse montante destina-se a financiar o investimento, constituído de caixa e equivalentes, necessidade de capital de giro, ativo imobilizado.

Pela lógica da estratégia de casamento, o ativo imobilizado e outros itens operacionais de longo prazo devem ser financiados por fundos de longo prazo, isto é, dívidas de longo prazo e patrimônio líquido. Em consequência, a NCG terá de ser financiada pelo que sobrar, a saber:

Para uma perspectiva visual da estratégia do casamento de prazos, vejamos o esquema:

Clique nas seguintes relações que podem ser estabelecidas a partir do esquema que vimos:

Financiamento a longo prazo líquido é a parcela do total de financiamentos disponíveis para a empresa a longo prazo que sobra para financiar os outros dois tipos de financiamento – NCG e caixa.

Dívida de curto prazo líquida é o saldo do financiamento de curto prazo após a dedução da aplicação em caixa e equivalentes.

A combinação do financiamento a longo prazo com a dívida de curto prazo líquida é destinada a financiar a necessidade de capital de giro.

Em geral, quanto maior a proporção da NCG financiada com fundos de longo prazo, mais líquida é a empresa. Isso ocorre porque a NCG é, essencialmente, um investimento recorrente.


Aplicação dos conceitos

O diagrama a seguir pode ser construído para o ano 2 da Companhia São Paulo:

Vejamos, a seguir, as equações para o ano 2 da Companhia São Paulo:

financiamento a longo prazo líquido = fontes de longo prazo – aplicações de longo prazo

R$ 31,0 = (R$ 19,0 + R$ 38,5) – R$ 26,5

dívida de curto prazo líquida = dívida de curto prazo – caixa e equivalentes

R$ 7,5 = R$ 11,5 – R$ 4,0

A necessidade de capital de giro da Companhia São Paulo, no final do ano 2 – no valor de R$ 38,5 milhões –, estava sendo financiada com R$ 31 milhões de recursos a longo prazo, isto é, 81%. Os restantes R$ 7,5 milhões, com dívidas de curto prazo, correspondem a 19%.

O indicador 81%, dado pela relação financiamento a longo prazo líquido/NCG – isto é, R$ 31 / R$ 38,5 – é um indicador de liquidez.

Comparado com 84% do ano 1, constatamos uma ligeira deterioração na situação financeira da empresa.