5.1 Finanças ao longo da história
Uma rápida retrospectiva dos eventos que influenciaram o mundo financeiro requer que olhemos, inicialmente, para o que ocorreu nos Estados Unidos e em parte da Europa. Clique nas épocas da linha do tempo.
Durante as duas primeiras décadas do século XX, os gestores financeiros se preocupavam, basicamente, com aspectos legais da captação de fundos por meio da emissão de títulos de dívida e de ações.
Esse foco de atenção era reflexo:
- dos mercados financeiros e de capitais muito incipientes na época;
- da onda de fusões, aquisições e consolidações que ocorreram naquele período;
- da falta de iniciativas hoje rotineiras, como a abertura e a divulgação das informações contábeis das sociedades ao público.
Com a depressão econômica dos anos 30, o foco dos gestores financeiros desviou-se para os aspectos defensivos da sobrevivência das empresas. Grande atenção foi dada à preservação da liquidez e a questões de falência e reorganização.
O grande número de abusos com credores e fraudes em relação aos investidores deu origem ao movimento de regulamentação e controle governamental sobre as empresas.
Comentário
Clique no ícone para acessar um comentário sobre eventos ocorridos no período após a depressão econômica dos anos 1930.
Durante os anos 1940 e início dos 1950, o mundo das finanças foi dominado pela abordagem tradicional, ou seja, aquela abordagem que privilegia o ponto de vista externo (do financiador ou do investidor), com pouca ênfase no processo decisório interno.
Nas décadas de 1950 e 1960, desenvolveu-se grande interesse por orçamento de capital e por questões correlatas.
Dois conceitos importantes surgiram nesse ambiente – retorno do investimento e custo de capital.
Estava nascendo o que se convencionou denominar de moderna teoria de finanças.
Os anos 70 ficaram marcados pelas contribuições de William Sharpe (e outros com o modelo de precificação de ativos de capital – CAPM), e Black e Scholes (com o modelo de precificação de opções – OPM).
Nos anos finais do século XX, face à grande volatilidade apresentada pelos principais indicadores econômicos e financeiros de mercado (juros, câmbio, cotações de títulos e preços de mercadorias), o mercado financeiro desenvolveu metodologias e sofisticados modelos de avaliação de riscos.
No início do século XXI, o fator de maior impacto na gestão financeira de empresas é a globalização das empresas e dos mercados.
Agora, é constante, nas atribuições do administrador financeiro, a necessidade de negociar em múltiplas moedas, em mercados financeiros internacionais, nos quais os fluxos de investimentos se movem rapidamente por meio das fronteiras, sob vários sistemas legais e de Contabilidade, e em ambientes de riscos políticos distintos.
Em resumo, o foco de Finanças variou ao longo do tempo:
- de estudo descritivo para análise rigorosa e teoria normativa;
- de busca de fundos para gestão de ativos, alocação de capital e avaliação de empresa;
- de análise externa para processo decisório interno.
Finanças no Brasil
No Brasil, a história das finanças é um pouco diferente. Alguns fenômenos são muito importantes nessa trajetória:
A queda das bolsas no início dos anos 70 ocasionou o surgimento do arcabouço legal do mercado de capitais, a criação da Comissão de Valores Mobiliários e a Lei de Sociedade por Ações, em 1976.
O longo período inflacionário do final dos anos 70 até o Plano Real, em 1994, levou à criação de mecanismos de proteção, como a correção monetária nos contratos e nos balanços patrimoniais. O gestor financeiro passou a dedicar-se à gestão de curto prazo, mais preocupado com o capital de giro e com a flutuação do poder aquisitivo da moeda do que com os demais aspectos. A queda e a manutenção da inflação em níveis ínfimos, a partir de 1994, permitiu o alargamento dos horizontes.
O processo de privatização de importantes grupos, como as siderúrgicas e as telecomunicações, imprimiram enormes repercussões nos mercados.
Da mesma forma, a consolidação do processo democrático, a crescente abertura comercial e a redução do risco-país têm feito com que a gestão financeira de nossas empresas se paute cada vez mais nas metodologias utilizadas em economias desenvolvidas.
Nos últimos anos, temos observado um crescente movimento de abertura de capital e consequente expansão do papel do mercado de capitais no financiamento das empresas. O aparato legal-institucional também tem se aprimorado, e as Finanças, no Brasil, aproximam-se cada vez mais das práticas consagradas em mercados desenvolvidos.
O conhecimento e a atualização nos princípios e nas técnicas de Administração Financeira têm-se tornado efetivamente mais importantes durante esta era de mudanças, seja para especialistas no ramo, seja para profissionais de áreas não financeiras.
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